Jardim Versão para impressão Enviar por E-mail
Quarta, 25 Junho 2008 14:25

jardimiconeA Empresa Municipal de Águas e Resíduos de Portimão, E.M. tem 'à porta' da sua sede uma autêntica 'joia algarvia'. Trata-se de um jardim completamente constituído por espécies vegetais autoctones da região algarvia, e que, sem dúvida alguma, trazem um pouco do Algarve tradicional para o seio da cidade de Portimão. De início, viu-se envolvido em alguma polémica devido ao seu aspecto pouco vulgar, pois a profusão de jardins à base de relvados e palmeiras na região faz com que os Algarvios não se reconheçam no tipo de vegetação que, ao fim e ao cabo, é tipicamente mediterrânica.

Assim, a Empresa Municipal de Águas e Resíduos de Portimão, E.M. construiu um jardim com caracteristicas especiais, que, de certa forma define a natureza ecológica e autosuficiente a nível vegetal da região Algarvia.

Conheça tudo o que se tem dito quer a nível da imprensa, quer a nível de outras iniciativas inspiradas pelo jardim.


Árvores que são monumentos

jardim3Amendoeiras, alfarrobeiras, oliveiras, algodoeiros silvestres, palmeiras-vassoura, azevinhos, pitas, alecrins, aroeiras, são algumas das espécies mais comuns num jardim que nasceu há cerca de três meses, em frente ao edifício dos Serviços Municipalizados de Portimão (SMP), e que está a cargo dos funcionários daquele organismo público. Poderíamos chamar-lhe um jardim mediterrânico por estar constituído por espécimes autóctones da serra algarvia, mas há quem lhe chame «jardim fantasma».


Não é um jardim típico inglês com relva verde, nem daqueles que se vêem em cada nova rotunda do do município, com palmeira e grama em volta.
É bem mais sóbrio e austero mas também monumental e muito ecológico. Dizêmo-lo porque pudemos apreciá-lo ao vivo e falar com alguns funcionários dos SMP que têm por aquele espaço especial carinho.

Algumas das árvores plantadas escaparam à motosserra e ao fogo que deixou marcas nalguns troncos, depois de se terem sentido a mais em terrenos que vão ser urbanizados. Foram essas árvores que mereceram especial aproveitamento. Alguns arbustos vieram da serra algarvia onde o alargamento dos caminhos não se compadeceu com esses símbolos de espécies únicas no mundo. Aquele jardim acolheu-as.

A Primavera vai ajudar a que se adaptem à sua nova casa, onde foi instalado um sistema de rega subterrâneo, para garantir a máxima economia de água.

jardim1José Brito e António Santana, este último engenheiro agrónomo, têm em comum o facto de pertencerem à Liga para a Protecção da Natureza/Algarve e trabalharem nos SMP. Em declarações ao «Maré Alta», sempre em nome dos Serviços, asseguram que «a experiência vai ter sucesso» e vão provar aos mais cépticos que as árvores se vão adaptar. Os novos rebentos já são visíveis a olho nu, mesmo por leigos. «Nunca irá ficar verdinho como estamos habituados a ver», referem. Também não estamos a falar de um jardim como os outros, acrescentamos nós.

Dar o exemplo aos cidadãos do município em termos de poupança de água foi uma das razões que levaram os responsáveis a fazer esta opção. «Vivemos numa região em que a gestão dos recursos hídricos é fundamental. Num ano tão seco como este, por exemplo, é ainda mais importante preservar a água ou não haverá barragens que cheguem», sublinharam.

O reverso da medalha encontra-se logo junto ao verso. Como o jardim é contíguo ao parque de estacionamento, muito utilizado por aqueles que se dirigem aos Serviços Municipalizados, ao Posto de Turismo da RTA, ou às lojas da proximidade, à Câmara, aos Correios, etc, muitas plantas não resistem quando uma roda de um carro lhes passa por cima.

Alguns descuidados transeuntes pisam as espécies mais rasteiras. Há ainda os "amigos do alheio", que das plantas só deixam o local, e os que teimam em espalhar, irresponsavelmente, papéis ou garrafas no jardim.

jardim5Já foram, segundo sabemos, pedidas papeleiras à autarquia para evitar o mal da sujidade, mas ainda não apareceram. Para facilitar a travessia dos peões, e seguindo a regra geral da jardinagem, que diz que os pontos de passagem devem ser os últimos a definir-se, foi colocada há pouco tempo, onde os peões fizeram caminho de forma natural por entre as plantas, pedra algarvia (da Bordeira/Santa Bárbara de Nexe).

Outras espécies estão a preparar-se para se juntar às pioneiras. Já foram comprados dois sobreiros que em breve povoarão também o jardim.

E você, caro leitor? Siga o exemplo, não só no poupar água. Outras árvores que demoraram décadas a formar-se estão a ser arrancadas e procuram nova casa para morar.

Durante a conversa com os nossos interlocutores no jardim, um indivíduo anónimo aproximou-se para dizer que muitas oliveiras estavam a ser arranca das perto de Portimão e que o destino que as aguardava era por certo transformarem-se em lenha para aquecer qualquer citadino enregelado, no próximo Inverno.

Na entrada nobre do edifício as estrelícias marcam ponto de honra. Ao lado direito, quando se entra, há alguns cedros e ciprestes mas no parque de estacionamento do lado esquerdo, onde há muito tempo havia espaço para plantar árvores, plantaram amendoeiras.

«Estou convencido que muito boa gente jovem não conhece esta espécie, apesar de viver no Algarve» referiu um dos nossos interlocutores.

    in jornal "Maré Alta" - Abril de 2000


   
Um jardim algarvio

Em frente aos novos Serviços Municipalizados de Portimão está a surgir um jardim um pouco diferente do que é hábito.

Não tem relva nem as plantas com que, normalmente, aquele tipo de espaço é contemplado. Em contrapartida, contém arbustos e árvores mediterrânicas, que consomem menos água e são uma forma de preservar uma vegetação que começa a estar em vias de extinção.

A ideia é boa e deveria ser agarrada por muitas autarquias. Em vez de se construirem aqueles jardins que, por serem iguais a milhares de outros, não têm puto de piada, deviam arriscar-se a fazer algo diferente. Porque não plantar oliveiras, alfarrobeiras e figueiras em espaços públicos? Seria uma forma de proteger espécies tradicionais ameaçadas de morte, de chamar a atenção para os frutos secos algarvios e de oferecer um produto diferente aos turistas.


jardim3

in jornal "Barlavento" - 24 de Fevereiro de 2000
 
Contactos da EMARP